Cerimonial judaico, respeito ao corpo e a alma na hora do adeus

Processo de luto abrange três etapas até completar um ano do falecimento

 

As culturas dos povos se diferenciam em muitos aspectos e um deles está relacionado ao momento de despedida de um ente querido. Alguns ficam por dias em cerimoniais de adeus, outros, como os judeus, providenciam para que o sepultamento seja o mais rápido possível, para que a alma daquela pessoa descanse tão logo que o corpo for enterrado.

 

 

Mergulhar no conhecimento de todo esse ritual é enfatizar a oportunidade de entender e respeitar a adversidade na hora da despedida de alguém que amamos. “O corpo é muito importante para o judaísmo, pois acreditamos na ressurreição dos mortos. Ele foi dado como uma garantia, sendo considerado um invólucro da alma”, explica o rabino Josef Tawil, da Sinagoga Arisa (Associação Religiosa Israelita de Santo André).

 

 

Devido cada cultura ter sua maneira de preparar a pessoa amada para o último adeus, muitas vezes nos surpreendemos como cada uma lida com esse processo, nos fazendo pensar sobre a necessidade de respeitar atitudes, semblantes e comportamentos de dor e despedida daqueles que ficaram. Desprender-se de julgamentos, com sensibilidade sobre a dor que aflige o outro, é a melhor maneira de tratar a morte em cada cultura no mundo.

 

 

Para os judeus o corpo não é apenas uma parte que será desintegrada, mas como o ‘manto sagrado da alma’. O período de luto seguido por eles pode se estender por até  um ano, com regras rígidas, que sequer permitem cortar o cabelo e as unhas. Esses detalhes podem nos esclarece algumas perguntas que fazemos, às vezes, quando os observamos andando por algum lugar público, por exemplo.

 

 

Quando um judeu morre, seu corpo passa pelo tahará, ou seja, ele é lavado e encoberto dos pés a cabeça por um lençol branco, de algodão ou linho, em sinal de respeito. Os braços são estirados ao longo do corpo, os olhos fechados e todos os adornos (brincos, relógio e pulseiras) são retirados.

 

 

O caixão é feito com um tipo de madeira simples, e na parte superior é colocada a Estrela de Davi com as iniciais do morto, não tendo ornamentação com flores e nem com velas.

 

 

Após todo esse preparo, inicia-se a cerimônia religiosa de despedida, que não deve se prolongar além do dia do falecimento, apenas se houver a necessidade de esperar por um parente que more muito longe, ou se o corpo for transportado para ser enterrado em Israel.

 

 

“Realizamos uma cerimônia de corpo presente, com o hesped (discursos fúnebres) e leituras de salmos. As pessoas que ficarem ao lado do corpo não podem fazer outra coisa a não ser a leitura dos salmos”, detalha o rabino Tawil, reforçando que esse comportamento permanece até a hora do enterro.

 

 

Para os judeus o sepultamento é a conclusão do processo de honras fúnebres ao ente querido, não sendo aceita a cremação. Sendo assim, o cemitério é considerado um local muito sagrado, onde a pessoa não será retirada de lá para nada, apenas se os familiares quiserem levar o corpo para Israel.

 

 

Depois de uma semana, ou, no máximo 30 dias da morte, os filhos devem providenciar a pedra tumular de mármore, em qualquer cor, com o nome do falecido em hebraico, sem flores e com velas que ficam num compartimento atrás da pedra. Nesta cerimônia devem ser levados 10 homens judeus que possam responder à alguns capítulos da reza.

 

 

 

TEMPO DO LUTO JUDAICO  

Não se pode mensurar verdadeiramente por quanto tempo as pessoas vivem o luto pela perda de alguém. Com o passar do tempo a dor se transforma em saudade e assim seguimos com as lembranças.

 

 

O luto judaico acontece em etapas. Nos sete primeiros dias após o enterro do ente querido, uma série de atividades não podem ser realizadas. Dentre elas, não sair para trabalhar, não cortar o cabelo e não cortar as unhas. “O enlutado pode sair apenas para ir à sinagoga rezar. Também se costuma rasgar um pedaço da roupa em sinal do luto e do sofrimento pela perda”, detalha o rabino Josef Tawil, da Associação Religiosa Israelita de Santo André.

 

 

O religioso explica também que dentro dos sete dias é necessário acender uma vela, representando o desenlace entre a alma e o corpo do falecido. Outro ato curioso está em cobrir todos os espelhos da casa. “Durante esse tempo, a alma passa por onde o corpo foi enterrado e pela casa onde aquela pessoa morou. Se a alma se olhar no espelho ela sofre. Por isso, cobrimos os espelhos.”

 

 

Após o recém-sepultamento não se pode usar sapatos de couro, há proibições maritais, o estudo da bíblia judaica, a torá, só pode ser sobre temas relacionados ao luto. É orientado sentar em cadeira baixa como demonstração de aflição. Caso precise sentar no chão é necessário colocar um tapete.

 

 

Passados os sete dias e seguindo para os próximos 30 dias após a morte do familiar, as únicas proibições são não cortar o cabelo e as unhas.

 

 

Nos decorrentes 11 meses os parentes mais próximos do falecido ficam proibidos de participar de festas, escutar músicas instrumentais, apenas as canções de inspiração, e devem continuar a kadish, reza especial.

 

 

Assim como em várias outras religiões, todos esses detalhes, que contemplam a despedida dos judeus aos seus entes queridos, envolvem muita emoção, choro, abraços, afeto, oração e solidariedade para que aquela dor seja amenizada dia a dia.

 

 

“A nossa missão é fazer o bem para os outros. O bem verdadeiro é aquele que se faz para o falecido, pois não se pode receber nada em troca. É uma honra, um grande preceito fazer isso para quem se foi”, finaliza o rabino Tawil.

 

 

Fonte:

Rabino Josef Tawil - Sinagoga Arisa (Associação Religiosa Israelita de Santo André)

Contato: 44381568

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